Dia nacional do escritor

Hoje, 25 de julho, é o Dia Nacional do Escritor. O meu primeiro com o famigerado título de AUTOR PUBLICADO™ e, por conta disso, decidi contar um pouco sobre a minha história com a escrita. Compartilhar com vocês a minha jornada até aqui, e tudo que deu errado até as coisas começarem a dar certo. Então, antes de mais nada, FELIZ DIA DO ESCRITOR PRA TODO MUNDO QUE ESCREVE. Seja você publicado ou não, com editora ou independente. Isso não importa. A decisão de querer contar histórias e a coragem de querer transformar isso em uma carreira faz de você um campeão.

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Em 2008 eu escrevi uma história do começo ao fim. O livro se chamava Nox -2 (nóx menos dois) por causa do valor do nox de oxigênio. Hoje eu não tenho a menor ideia de como funciona isso mas naquela época, quando eu estava terminando o ensino médio, química era uma coisa bem presente na minha vida.

O livro era uma cópia descarada de Confissões de uma banda + O diário da Princesa, e contava a história de quatro amigos muito diferentes que decidem montar uma banda para uma apresentação na escola. Ambicioso que sou, escrevi em QUATRO PONTOS DE VISTA, mas todos eles pareciam a mesma pessoa. Eu não tenho a menor ideia de quantas pessoas de fato leram esse livro, mas na época eu postei um capítulo por semana numa comunidade que criei no Orkut (você quer, @Wattpad?) e cada comentário que eu recebia me deixava com vontade de escrever mais.

A capa era assim:

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Since 2008 fazendo minhas próprias capas

Era uma história simples, mas lembro de como foi divertido escrever. Quando eu sentava na frente do meu computador para preparar o capítulo daquela semana, nossa, era a melhor hora do dia. Gabi, Sofia, PH e Buca foram meus primeiros personagens e foram eles que me ajudaram a colocar pra fora as coisas que eu sentia e pensava. O livro não tinha nada revolucionário. Todo mundo era hétero, branco e classe média. Mas, ainda assim, esses quatro personagens tem um lugar muito especial no meu coração. E apesar do meu texto imaturo, eu tenho muito orgulho do parágrafo final de Nox -2, e eu genuinamente adoro que a última palavra desse livro é “VOMITANDO”.

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NOTA: Agora que fui abrir o PDF de Nox -2 eu reparei que escrevia todos os diálogos com aspas ao invés de travessão. A primeira versão de Quinze dias também foi toda escrita com aspas e a editora pediu pra mudar para manter o padrão editorial deles. Eu achava que tinha escrito dessa forma porque a maioria dos livros que eu leio é em inglês e as aspas são mais comuns por lá. Mas em 2008 eu não lia nada em inglês então, sinceramente, não sei como começou essa minha coisa com aspas.

SEGUINDO EM FRENTE: No final daquele mesmo ano, 2008, comecei a trabalhar em um novo livro. Ele se chamava The Darwin e contava a história de quatro adolescentes de panelinhas diferentes que se viam obrigados a aceitar suas diferenças e trabalhar juntos no jornal do Colégio Estadual Charles Darwin. The Darwin era o nome do jornal em questão (péssimo, eu sei), e naquela época eu não tinha a menor ideia de que um colégio estadual jamais levaria o nome do criador da teoria evolucionista. Mas na minha cabeça, era possível.

Essa história nunca foi concluída, porque nessa época minha família descobriu que eu sou gay, eu perdi meu acesso à internet e, junto com ela, a vontade de escrever. Eu lembro com muita clareza da capa de The Darwin (era azul clarinha, com fonte de máquina de escrever e uns splashes de tinta colorida), e do BOOKTRAILER (!!!!!!) que eu fiz no Windows Movie Maker onde tocava Goodnight and Goodbye dos Jonas Brothers.

Apesar disso, eu lembro muito pouco da história em si. Lembro de uma personagem que era meio emo e escrevia o horóscopo do jornal, daí ela meio que ferrava a vida de todo mundo e só previa desgraças. Também lembro, muito vagamente, de uma piada envolvendo O Exterminador do Futuro. E é só isso. Essa história teve uma vida curta. Três capítulos no Orkut, e mais dois no meu computador, que nunca foram postados.

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Eu levei muito tempo para voltar a escrever. Botar minhas ideias para fora era uma coisa que engatilhava uma série de traumas na minha cabeça. RESUMINDO: minha mãe descobriu que sou gay porque ela leu meus diários e, desde então, escrever qualquer coisa significava me expôr e ser punido por isso.

Só em 2013, quando me mudei para São Paulo, me senti seguro para escrever de novo. Comecei uma história chamada O labirinto cinza, sobre um menino de cidade pequena e se mudava para uma cidade grande e começava a explorar todas as possibilidades. Tenho o outline completo dessa história, mas nunca concluí porque ela não termina bem. Escrever sobre coisas tristes me deixava triste, então eu evitava.

Entre todas essas histórias, também escrevi: fanfics (ruins) de Panic! at the Disco, um protótipo de livro infantil, 400 ideias para quadrinhos e alguns contos curtos com temática LGBT que (ainda) não mostrei para ninguém.

Esse ano, 2017, publiquei meu primeiro livro e sobre Quinze dias vocês já estão cansados de saber. Colocar essa história no mundo me exigiu muita coragem e comprometimento. As coisas funcionaram bem para mim, com um pouco de sorte e cara de pau. E hoje, mais do que nunca, eu consigo enxergar a escrita como um futuro. Como uma profissão de verdade. E essas possibilidades me deixam muito empolgado.

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A vida pós Quinze dias me trouxe muitos sentimentos que eu não sei dar nome. Tipo a sensação boa que a gente sente quando alguém diz que se sentiu transformado pela sua história. O sorriso que brota na minha cara quando uma pessoa inesperada (um amigo de infância, ex-colega de trabalho ou uma amiga da minha mãe) lê meu livro. Aquela respirada funda que a gente dá quando recebemos uma resenha negativa (ACONTECEU ONTEM!!! Passo bem). E eu sei que ainda existem um milhão de coisas para experimentar dentro dessa vida que eu escolhi. Umas boas, outras ruins. Mas, em sua maioria, boas. Eu espero.

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