Diário de escrita #15 – Dias difíceis

Eu acho que estou passando por um dos momentos mais complicados da minha (pequena) carreira de autor. Piratas gays está me ensinando muita coisa a respeito de como eu funciono como escritor, me mostrando algumas fraquezas que eu não havia encontrado durante a escrita de Quinze dias e me apresentando desafios que eu ainda não sei direito como completar.

Nos últimos meses estou me esforçando bastante para escrever todos os dias e o livro está ganhando forma. Eu gosto da história, gosto dos personagens e tenho meu outline todo pronto. Mas tem dias que nada vai para frente, sabe? Isso pode ter relação com um monte de coisas. Dramas da vida pessoal, inseguranças ao lidar com as expectativas, surpresas que aparecem no meio do caminho. Tem momentos em que eu me sinto em um furacão maluco de emoções porque em um único dia eu consigo amar e odiar meu livro. Eu escrevo uma cena incrível e duas horas depois fico me questionando se ela não está boba demais. Eu escrevo uma passagem de cena qualquer e, quando releio, descubro que foram as melhores três frases que escrevi em uma semana inteira.

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Até mesmo enquanto escrevo esse post eu consigo escutar uma voz dentro da minha cabeça me censurando e perguntando se alguém realmente vai querer ler isso aqui. E eu acho que esse é o grande desafio do escritor, sabe? Criar uma história que as pessoas queiram ler. E que ao mesmo tempo faça sentido para você. Tem que pensar também que o livro é um produto e ele precisa vender. É tanta coisa, sabe? E tudo nessa carreira acontece sempre a longo prazo. Desde o básico (escrever) que demora muito tempo da primeira palavra até o livro publicado, até as coisas mais práticas (pagamento) que, no meu caso, só acontece a cada seis meses.

Ser escritor não é uma profissão normal, dessas que você trabalha, recebe o salário e paga os boletos. Existe um pouco de mágica na escrita SIM, mas não é esse glamour todo que muitas pessoas acreditam que seja.

Hoje, 16 de novembro, estou em mais ou menos 50% do meu livro. É difícil medir direitinho porque, diferente de Quinze dias, Piratas não tem um recorte de tempo certinho. A história não tem dia para acabar. Ela acaba quando eu quiser. E decidir o momento certo para parar de escrever é uma das coisas que mais tem me perturbado nas últimas semanas.

Eu tento repetir o tempo todo para mim mesmo que o primeiro rascunho não vai ser perfeito, que depois de pronto ele ainda vai receber muitas mudanças. Mas, ainda assim, eu tento dar o meu melhor ali, sabe? Eu quero criar personagens profundos e fáceis de relacionar e ao mesmo tempo não quero encher o saco do leitor com detalhes que não fazem a menor diferença para a história em si.

Tenho tentado me manter o mais dentro da história possível. Mesmo em dias que eu não consigo escrever, eu penso demais nos personagens. Imagino cenas enquanto ando de ônibus, escuto a playlist do livro e tento encontrar novas músicas para adicionar. Esses dias fiz até um mood board no meu caderno de escrita, com imagens que fazem parte do universo de Piratas gays. Fiz isso em um dia que estava me sentindo 100% inútil e, apesar de não ajudar em nada no andamento da escrita, me ajudou a relaxar um pouco. Se você não tem paciência para cortar e colar papel, faz um mood board do seu livro no Pinterest que funciona do mesmo jeito. O de Piratas é esse aqui (mas ainda está em construção).

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Eu sempre gosto de escrever aqui no blog quando tenho atualizações sobre o projeto ou quando quero dar dicas pra qualquer um que esteja lendo e passando pela mesma situação que eu.

Sobre atualizações, sigo escrevendo porque o prazo de entrega para a editora está cada vez mais perto.

Sobre dicas, eu sinceramente sei lá???? Não sei como vou sair desse buraco. Não sei se é um bloqueio criativo, preguiça ou um desânimo geral com o mundo. Mas posso dizer que, pelo menos para mim, reler algumas cenas antigas me ajudam a perceber que todo o caminho até agora não foi tempo perdido. Só eu posso escrever e terminar essa história então eu tento imaginar meus personagens contando comigo para que a vida deles vá para frente. Porque, por mais estranho que isso possa parecer, é basicamente assim que funciona. Um livro em andamento tem um monte de vidas incabadas ali. E o que vai acontecer, só depende do escritor.

Então é isso.
Continuem escrevendo.
Bebam muita água.
E assistam Liga da da Justiça (que é show).

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